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o seu pé arcaico/ as suas mãos arcaicas/ o seu olhar de argila/ a sua presença de areia/ vc / bento bento bento bento/ nasceu de uma fissura no barro/ aparece pra gente assim/ que é quase feita de capim/ de tão ingênua/ e gosta de tomar café fresco/ entardecendo a tarde/ conversando com a gente ingênua/ de oratório no peito/ gente ingênua evaporando deus pelas fissuras do barro da face/ seu rosto adquirindo silêncio de boi/ gente ingênua molhando o sereno com suor do trabalho/ banhando vc dormindo/ amanhã amanhece sim/ e o Deus Hélio aquecerá/ a desilusão azul
Escrito por romanesca às 21h29
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Enquanto escalo as costelinhas do seu dorso com meus dedos
tudo em mim se apodera do que irrompe em potência no mundo
Escrito por romanesca às 16h17
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Neste reveillon
vamos cobrir as coisas todas de inércia
vamos adormecer ao lado
do seu corpo albino e sem face
Escrito por romanesca às 15h49
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Um caleidoscópio de amantes e as muito freqüentes trocas de lençol
Escrito por Dani às 16h16
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Pequenas imaterialidades pousam nos sulcos de sua testa com enchaqueca
por que você tem a percepção arqueológica das coisas
e posso até ver meus fósseis desmembrados dentro do seu vítreo azul
Escrito por Dani às 12h36
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Retromim
Fluídos, recém-natos, sangue de fêmea, amores de ontem
e de amanhã
o mundo gira
o tempo escorre
no laço-abraço
entre minhas pernas
Escrito por Dani às 16h21
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Sua
Deitar sobre mim sua fúria
até que eu seja só
um tecido invertebrado em suas mãos
Escrito por Dani às 16h15
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REM (rapid eyes moviment)
Onde ele passa
camomilas
os mamilos
ele nina
Escrito por Dani às 16h12
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Estado de sítio
Magno magnânimo magmar você tem você é
magma
Escrito por Dani às 15h13
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Gaia:eu
Suas mãos são raízes que se estendem por todo o perímetro da terra
Escrito por Dani às 15h11
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Eu despenteio seus olhos com minhas mãos
meu bem
Escrito por Dani às 15h05
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Nas pupilas espectros de deuses
Escrito por Dani às 15h00
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Excesso de cafeína
Os ponteiros atrasados que te separam de mim
tic-tacs, t.o.c.s e nóias na azia das horas
Escrito por Dani às 14h44
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Rouca para os fonemas de seu nome
pertencer-te
Escrito por Dani às 12h16
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Ensina-me a proteger-me
ensino-te a entregar-se
você passa a mão em meus cabelos
e aí
então
sou eterna
Escrito por Dani às 12h13
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Debaixo dos caracóis
desses seus cabelos lisos
soprar sobre seus tímpanos
segredos de espera
Escrito por Dani às 12h10
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Siamês
Tudo bem o inverno refrigerado daquele cinema
sanguíneos cálidos correndo nas veias do nosso abraço
Escrito por Dani às 12h08
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Alguém se escondeu no instante que distingue sístoles de diástoles ...
um dia silenciar seus cabelos em meu colo
desfilar por aí silk screen
seu rosto em meu peito transparente
Escrito por Dani às 18h40
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(ao som de Samba e Amor na voz de Bebel Gilberto )
lentos, insones, bentos de sorrisos
subindo no vértice da madrugada
Escrito por Dani às 02h12
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Aqui debaixo desse céu nublado de contornos absurdos
estamos nós sem saber exatamente porque estamos, onde guardamos o bebê e como começar a lavar a louça
é visível que o ar está cheio de bolor e que temos medo da geladeira azul no canto da cozinha
cruzamos no corredor e acenamos autômatos entre nossos afazeres
ainda rimos de vez em quando porque não somos assim tão ordinários para mergulharmos em dores
adquirimos alguma complexidade em não buscar entender
e silenciosamente esperamos Godot
esperamos God
no dia em que diremos definitivamente adeus
Escrito por Dani às 01h21
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Nós achavamos que seríamos imortais como John e Yoko
que realizaríamos o milagre dos pães, e mesmo a miséria seria criativa, e teríamos gestos naïfs em fazer dobraduras de papel
e que eu escolheria os temperos pra sua comida com a fina intuição dos amantes
até que um dia escorremos em filhos para a eternidade...
Escrito por Dani às 17h58
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Extrapolaram todos os limites tangenciais de suas anatomias: era preciso degluti-las em sync
no dia seguinte ela estaria ornamentada de sua presença.
minúsculos de plasmas se reuniram no corpo dela
em homenagem a presença imperialista daquele homem
Escrito por Dani às 19h18
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Preparou-se para ele como uma gueixa
como uma noiva hindu
como cavaleiros que montam suas armaduras para o front
primeiro aplicou -se nos cremes e colônias, demarcando um mapa invisível de territórios a serem conquistados; na penugem do sexo algumas gotas de... (nesse momento flagrou seu sorriso escapando no espelho)
se pudesse vestiria sabores, por que Ele os valorizava mais do que aquelas texturas: vestiria curry, cravos-da-índia, pimentas-do-reino, especiarias peruanas ...
tinha aprendido que sabores são artimanhas dos sentidos, que sabores na verdade são vestimentas de odores.
que sabor teria feromônio de Lhamas?
escolheu Este. foi.
Escrito por Dani às 14h55
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Daqueles que dominam a arte de adestrar tecidos epiteliais
eqüinos transparentes que vivem em pálpebras
papilas, nucas, canais auditivos
.
.
.
Daqueles que possuem olhos como tuaregues
que nunca revelam segredos de areia
mas conduzem silenciosamente a oásis íntimos
Escrito por Dani às 11h58
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Dia desses, do alto de suas botas ortopédicas
menininho me disse “ bye, bye ”
té qualquer dia
por enquanto fico aqui
brincando de mostrar piruzinho pras garotinhas do bairro
Escrito por Dani às 15h24
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Sua boca cheia de fel
seu talento para chutar cachorros carentes
você é durão, mafioso, irresistível
mas se um dia roubo sua bombinha anti-asma
seu fôlego, sua vida
caberão entre meus dois lábios
Escrito por Dani às 14h18
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Então a paixão é uma idéia fixa que não queremos abandonar
e de idéias fixas convergentes as crianças nascem
mas quando a paixão é pura ficção
será que se trata com ansiolítico?
Escrito por Dani às 19h45
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Romeu- Puto
em suas mãos no lugar de flores
um bouquet de minhas próprias artérias e veias
Escrito por Dani às 18h13
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Enquanto eu fico aqui
contando as janelinhas acesas dos prédios
em quais das terras de morfeu
andará o meu Romeu
Escrito por Dani às 10h15
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A tarde minha saudade te chama
com o canto das cigarras
Escrito por Dani às 00h10
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de vez em quando menos ocos
de vez em quando habitados
por volts, megahertz
as paixões iluminam o tungstênio
de nossas pequenas caixas torácicas
Escrito por Dani às 01h06
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seu hálito inocula compostos entorpecentes
bouquets de tequila, peiote, marijuana
Escrito por Dani às 03h15
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Procure entre as naftalinas
no meio das cuecas rotas
na gaveta de coisas inúteis
no traço vazio das traças de fundo de armário
ainda estarei lá
blow up
na íris inerte um cosmos de lembranças
Escrito por Dani às 01h18
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Seu desprezo me provoca vontades de nicotina.
Pela impossibilidade de contê-lo te resumo a este filtro
Do refluxo de um sopro: capilares, células, sinapses - sua imagem
Outro trago.
Não te trago...
Esvaecendo saudades em cinza
Cinzas
Vertigo
Você
6
andares
abaixo
do
edifício
Escrito por Dani às 19h21
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Misógeno blues
Ele é um flaneur
ele é só um menino
alguma fragilidade no tempo entre os seus piscares
vou dizer baixinho no seu ouvido
(de feminino você não entende nada...)
Escrito por Dani às 18h22
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O meu amor me disse que amo alto demais...
Engendra
legendas
secretas
no meu sexo
que eu prometo amar calada eternamente
Escrito por Dani às 12h53
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ROMÃ
A romã é para muitos povos um símbolo de fertilidade. Em Roma, os toucados das noivas eram feitos de ramos de romãzeira. Na Índia, as mulheres bebiam sumo de romã para combater a esterilidade. Entre os beduínos, uma romã era aberta pelo noivo antes de entrar na tenda. Se a romã tivesse abundantes sementes estava assegurada uma numerosa descendência. Entre os turcos, as virgens eram comparadas a uma romã ainda por abrir. Segundo uma lenda árabe, em cada romã há uma semente que veio directamente do paraíso. Por ter comido algumas sementes de romã ficou Perséfone para sempre ligada ao deus Hades. Entre os chineses, era costume oferecer romãs como presente nupcial.
Escrito por Dani às 18h38
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kitnet
Dentro do cubo
um pequeno cubo morado por alguém
cubocabana,copacabana
buzinas/ zum zum de insetos, no empenho de infiltrar galerias
Você toca a campanhia do meu microcosmo
eu te dou um abraço de formiga feliz
não perdemos tempo com paredes
elas estão ali só para conter um casal.
nós derivamos os ingredientes
conteúdos
coisas cardíacas
Dois alguéns descasulando adereços de tempo
como que na trajetória do sutil
vinho barato, copos de geléia ou requeijão
uma luminária roubada da mobília urbana
pés, falos e cabelos num pastel de lençol
escorremos pelo ralo até a síntese
Escrito por Dani às 13h29
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