Aqui debaixo desse céu nublado de contornos absurdos
estamos nós sem saber exatamente porque estamos, onde guardamos o bebê e como começar a lavar a louça
é visível que o ar está cheio de bolor e que temos medo da geladeira azul no canto da cozinha
cruzamos no corredor e acenamos autômatos entre nossos afazeres
ainda rimos de vez em quando porque não somos assim tão ordinários para mergulharmos em dores
adquirimos alguma complexidade em não buscar entender
e silenciosamente esperamos Godot
esperamos God
no dia em que diremos definitivamente adeus